top of page

Gagueira tem tratamento: saiba quando procurar um fonoaudiólogo

Foto do escritor: AEC
AEC
há 8 horas
4 min de leitura

No Dia Internacional de Atenção à Gagueira, 22 de outubro, professora de Fonoaudiologia explica sintomas, diagnóstico e como familiares, professores e colegas podem ajudar


Matéria por: Sofia Negrão

Imagem: reprodução


Repetir sons, prolongar sílabas ou travar antes de começar uma palavra. Para quem convive com a gagueira, essas pausas e repetições fazem parte do dia a dia. Em 22 de outubro, Dia Internacional de Atenção à Gagueira, o curso de Fonoaudiologia chama a atenção para um tema que ainda é cercado de desconhecimento e preconceito.


O que é a gagueira


Segundo a professora Flávia Godinho, a gagueira é o transtorno da fluência da fala mais frequente. Entre suas principais características estão os bloqueios, os prolongamentos de sons e as repetições de sílabas, palavras ou partes de palavras.


A dificuldade, no entanto, vai além das interrupções na fala. “Muitas vezes, por antecipar que vai gaguejar e por ansiedade, a pessoa pode até não conseguir completar a frase ou ficar tentando trocar as palavras. Isso dificulta muito a comunicação”, explica a professora.


Também podem ocorrer movimentos involuntários ou desnecessários durante a fala, conhecidos como comportamentos secundários. “A pessoa faz esses movimentos na tentativa de falar melhor, e acaba agravando a situação”, afirma.



Quanto antes, melhor


A gagueira geralmente se manifesta na infância, e a identificação precoce dos sintomas é fundamental para o tratamento. De acordo com a professora, pesquisas científicas apontam que a intervenção nos primeiros meses pode favorecer significativamente os resultados terapêuticos.


“Crianças que recebem a intervenção nos primeiros seis meses de sintomas muitas vezes conseguem uma fala de muito boa qualidade, quase sem bloqueios e sem repetições”, diz.


O tratamento também pode trazer benefícios na vida adulta, embora o processo possa ser mais prolongado. “Como o adulto já desenvolveu muitas compensações e, muitas vezes, medo de falar, o processo pode ser mais árduo até para o próprio paciente”, explica.


Na infância, a intervenção precoce também ajuda a reduzir os impactos emocionais e sociais associados à dificuldade de comunicação. A exposição ao bullying e o medo de falar podem agravar o sofrimento da criança.


“Depois que ela começa a sofrer bullying na escola e percebe que a fala dela é diferente, o quadro se agrava, porque, além da dificuldade na fluência, ela passa a ter medo de se comunicar”, alerta a professora.


Como é feito o diagnóstico e o tratamento


O diagnóstico é realizado por um fonoaudiólogo, por meio de uma avaliação clínica que considera a frequência e o tipo de disfluências, além de seus impactos na comunicação. Os instrumentos utilizados variam de acordo com a idade e as características de cada paciente.


A professora ressalta que hesitações e repetições fazem parte da fala de qualquer pessoa. A diferença está na frequência, no tipo de interrupção e no impacto que elas provocam na comunicação.

“Em quem não gagueja, o número de disfluências é pequeno e não compromete a fluidez. Na pessoa com gagueira, as interrupções são tão frequentes que chegam a dificultar a comunicação”, explica.


O tratamento é individualizado e pode envolver estratégias para reduzir a tensão durante a fala, aprimorar a coordenação entre respiração e articulação e desenvolver recursos que ajudem a lidar com as disfluências. O acompanhamento também considera os aspectos emocionais e sociais que podem estar associados à dificuldade de se comunicar.



Mitos e preconceitos


O preconceito em torno da gagueira pode partir tanto das outras pessoas quanto de quem convive com o transtorno. A dificuldade de se expressar em determinadas situações pode afetar a autoestima e levar ao isolamento social.


“É muito comum quem gagueja ter baixa autoestima. Mas a gagueira é um distúrbio específico da fala, não envolve cognição e não prejudica a inteligência. Como a pessoa não compreende a complexidade da produção da fala, ela se culpa e acha que é incapaz”, explica a professora.


Outro equívoco é acreditar que a gagueira impede alguém de ter sucesso na vida pessoal ou profissional. Com acompanhamento fonoaudiológico, é possível desenvolver estratégias para melhorar a fluência e tornar a comunicação mais confortável, embora os resultados variem de pessoa para pessoa.


Também é incorreto responsabilizar a família pelo surgimento do transtorno. Embora o ambiente possa influenciar a experiência de quem gagueja, a gagueira tem origem multifatorial e não deve ser atribuída à culpa dos pais, da criança ou do próprio indivíduo.


“Ela acontece porque há uma alteração no desenvolvimento neuronal da criança e afeta a organização motora e cognitiva da fala”, esclarece a professora.



Como ajudar: família, escola e colegas


Em casa e no dia a dia. Na tentativa de ajudar, muita gente pede para a pessoa repetir, falar melhor ou respirar. A professora alerta que isso pode piorar. "Esses pedidos excessivos causam mais ansiedade e fazem com que ocorram ainda mais quebras na fala." O ideal é ter paciência, escutar com atenção e esperar o tempo da pessoa, sem tentar adivinhar o que ela vai dizer e sem compará-la com outras pessoas.


Na escola. Como a gagueira costuma surgir perto da alfabetização, é comum que a criança tenha de ler em voz alta e fazer apresentações. "Expor a criança a um grupo faz com que ela fale pior, fique mais nervosa e, às vezes, nem consiga ler", afirma. A orientação é fazer leituras e provas orais em ambiente mais reservado, e o professor deve esperar o tempo da criança, sem completar suas falas.


Entre os colegas. Orientar a turma para evitar o bullying é fundamental. "Sabemos que acontece, e é comum a criança com gagueira começar a se isolar por medo de ser ridicularizada. Essa consciência dos colegas é essencial para que ela se sinta à vontade e não tenha medo de se comunicar", diz a professora.


O fonoaudiólogo é o profissional indicado


O fonoaudiólogo é o profissional habilitado para avaliar, diagnosticar e tratar os transtornos da fluência da fala. Ao perceber sinais persistentes de gagueira, especialmente em crianças, é importante buscar uma avaliação especializada.


O acompanhamento precoce pode contribuir para o desenvolvimento da comunicação e ajudar a reduzir os impactos emocionais e sociais associados ao transtorno. Em qualquer idade, procurar orientação profissional é um passo importante para lidar com a gagueira com mais segurança e qualidade de vida.



 
 
 

Comentários


CONTATO

Universidade Veiga de Almeida campus Cabo Frio
Estrada das Perynas s/n, Perynas - Cabo Frio

0Ativo 6_300x.png
  • Branca Ícone Instagram
  • Branco Facebook Ícone
  • Branca ícone do YouTube

©2024 - Agência Experimental de Comunicação

bottom of page