top of page

O VEGETARIANISMO: UM FRUTO DA CONTRACULTURA CRESCE NO BRASIL

Letícia Cristina R. Lourenço e Sarah do Santos

Prática que veio para garantir a preservação ambiental e o respeito pelos animais corresponde atualmente a 30 milhões de pessoas.

No ano de 2018 foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (IBOPE) que 14% dos brasileiros são adeptos ao vegetarianismo, o que corresponde a uma parcela de 30 milhões de indivíduos adeptos a essa prática. A estudante Ingrid Corrêa de 21 anos, explicou que decidiu se tornar vegetariana por ser contra as indústrias da carne e por causa do sofrimento animal, mas que lidou com críticas de sua família. “Eu fui muito julgada, eles disseram que eu ia morrer sem nutrientes, que a carne não poderia ser substituída”, disse ela.

O movimento de contracultura, o qual a prática do vegetarianismo se inclui, teve inicio de 1960 e 1970, em diversos lugares do mundo, incluindo o Brasil. A principal característica desse movimento era a crítica ao sistema capitalista e aos padrões de consumo desenfreado. Já a prática vegetariana surgiu há milhares de anos atrás e ganhou visibilidade durante a década de 1960 por ser um movimento que lutava contra as industrias de consumo de carne. O vegetarianismo fez parte de alguns movimentos que se disseminaram naquela época, como o movimento hippie que divulgava a ideia de preservação ao meio ambiente, respeito a natureza e aos animais, que ganhou repercussão durante a ditadura no Brasil.

De acordo com um artigo publicado na revista “Life Style Journal” da Unasp por Marcia Cristina Teixeira Martins, coordenadora e Phd do curso de pós graduação em alimentação funcional e qualidade de vida da UNASP “Nos anos 60, o vegetarianismo era considerado padrão dietético com elevado risco de desenvolvimento de doenças decorrentes da deficiência de nutrientes, especialmente em situações de altas demandas metabólicas, como gravidez, lactação e crescimento. Até os anos 70, vegetarianos eram taxados como grupos fora dos padrões convencionais, subculturais ou ligados a seitas religiosas.” Sonia Regina dos Santos, uma idosa de 70 anos, explicaque na década de 60 ela estava em sua pré adolescência e nunca tinha ouvido nada sobre o vegetarianismo. “Eu vim saber o que era vegetarianismo por volta de 1980, quando comecei a frequentar salões de beleza e algumas mulheres conversavam sobre isso”. Para ela, aquela prática só era adotada por pessoas favorecidas economicamente.

O artigo da Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, escrito por Nelson Pedro explica um pouco mais sobre o início do vegetarianismo. “Algumas religiões, tais como o Budismo e o Hinduísmo, promovem o uso de dietas vegetarianas com o intuito de preservar a vida animal. O movimento vegetariano expandiu-se consideravelmente no século XIX, com a formação de grupos de vegetarianos, publicação literária favorecendo a dieta vegetariana e a abertura de restaurantes promotores deste tipo de dieta. Esta expansão consolidou-se no século XX, com o aumento do interesse e conhecimento sobre a dieta vegetariana.”

“Lá pela década de 1980 eu tentei ser vegetariana, por conta da alimentação, corpo e estética”, explicou Ana Paula Bellas, de 50 anos. “Eu fazia sopa, porque era a forma mais prática e rápida de manter a alimentação, era difícil encontrar lugares que vendessem comidas assim”, afirmou ela. Durante o ano de 2015 o Burguer King uma rede de fast food, foi a pioneira na aceitação da prática vegetariana ao incluir o “Veggburguer” em seu cardápio. Já o Mc Donald’s, só foi aderir a inovação em 2016, com seu primeiro hambúrguer vegetariano na Itália. No Brasil a novidade só chegou em 2017.

A prática do vegetarianismo consiste principalmente em não consumir carne de nenhum animal, porém ela pode ser dividida em quatro categorias, sendo elas: Ovolactovegetarianos, que excluem qualquer tipo de carne do seu cardápio, vegetarianos restritos, que não consomem alimentos derivados de animais, ovo vegetarianos, composta por indivíduos que consomem ovos mas não consomem carne e veganos. Entretanto, mesmo o veganismo compondo o vegetarianismo acaba sendo entendido como uma prática mais radical, sendo contra qualquer tipo de consumo que tenha como origem os animais.

Marcia Martins, ainda explica em seu artigo que nos últimos 30 anos, pesquisas e estudos clínicos têm documentado os benefícios da dieta vegetariana. Populações vegetarianas vivendo em condições de oferta de alimentos desfrutam de boa saúde, como baixa taxa de obesidade, doença cardíaca coronária (DCC), diabetes, muitos tipos de câncer e expectativa de vida aumentada. Ela afirma também que “Considerando o crescimento da mortalidade brasileira por doenças crônicas não transmissíveis e as condições favoráveis à oferta de hortaliças, frutas tropicais, cereais integrais e leguminosas, seria recomendável a divulgação de informações sobre a adequação e benefícios das dietas vegetarianas em nosso meio.”

Recentemente foi publicada uma matéria no jornal “O globo” que afirmava que os vegetarianos são mais propensos a desenvolver câncer e outras doenças. A afirmação foi baseada em um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Graz, Áustria. No entanto, esse mesmo estudo continha inúmeros equívocos que a Sociedade Vegetariana Brasileira contestou, alegando a alta quantidade de falhas. O site da referida sociadade, contém algumas respostas a estudos e matérias que afirmam dados incoerentes sobre a prática vegetariana. O que comprova que apesar do vegetarianismo existir há vários séculos, ainda é alvo de críticas geradas pela desinformação.


Posts recentes

Ver tudo

CONTATO

Universidade Veiga de Almeida campus Cabo Frio
Estrada das Perynas s/n, Perynas - Cabo Frio

0Ativo 6_300x.png
  • Branca Ícone Instagram
  • Branco Facebook Ícone
  • Branca ícone do YouTube

©2024 - Agência Experimental de Comunicação

bottom of page