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Ascensão dos filmes de super-heróis fazem desta a era de ouro para os nerds e geeks

  • Raphaella Santoro
  • 6 de jun. de 2016
  • 6 min de leitura

NO DIA MAIS CLARO. NA NOITE MAIS ESCURA. NENHUM MAL ESCAPARÁ A MINHA VISÃO. E AQUELES QUE CULTUAM O MAL, TEMAM O MEU PODER.

Vivendo em uma época em que vários filmes de super-heróis são lançados no mesmo ano, como é o caso de 2016 com suas seis super produções – Deadpool (dirigido por Tim Miller), Batman vs Superman: A Origem da Justiça (dirigido por Zack Snyder), Capitão América: Guerra Civil (dirigido por Anthony e Joe Russo), X-Men Apocalipse (de Bryan Singer), Esquadrão Suicida (dirigido por David Ayer e com lançamento em agosto) e Doutor Estranho (dirigido por Scott Derrickson e com o lançamento em novembro) – é difícil imaginar que já existiu um período em que os estúdios de cinema tinham medo de produzir filmes do gênero.

O ano de 1978 marca a estreia do primeiro grande filme de super-heróis. Superman: O Filme (dirigido por Richard Donner) foi um grande sucesso na época e ainda se mantém como um dos favoritos do gênero. Infelizmente, grande parte das produções que o seguiram não caíram nas graças do público, fazendo com que em 1997 os estúdios perdessem a confiança e o interesse em investir em adaptações dos quadrinhos graças ao fracasso que foi Batman e Robin de Joel Schumacher. O filme virou uma piada na comunidade e jogou no lixo toda e qualquer seriedade que existia nas obras do tipo. Projetos como o Homem-Aranha de James Cameron e X-Men de Richard Donner foram colocados na geladeira.


Para entender melhor este fenômeno, conversamos com o Rodrigo Fonseca, um crítico de cinema, blogueiro do Estadão e colunista do site Omelete. Durante a conversa, Fonseca disse que há 18 anos o filme Blade, o Caçador de Vampiros (de Stephen Norrington) foi o marco zero para a volta das produções de super-heróis, explicando a importância que a obra teve para estarmos vivendo nesta era de ouro do “super cinema”.

Em 1997, o já muito popular ator norte-americano Wesley Snipes fez um filme chamado Por Uma Noite Apenas, que o rendeu um prêmio no Festival Internacional de Cinema de Veneza, aumentando ainda mais o seu reconhecimento pelo público. Junte um ator popular, um elemento clássico de histórias de terror e a proposta de levar um debate social ao cinema. Assim nasceu Blade, O Caçador de Vampiros, o filme que viria para apagar as inseguranças quanto a produções de filmes de super heróis. Blade nunca foi um personagem muito popular nas histórias em quadrinho, sendo mais conhecido por suas aparições nas histórias do “cabeça de teia”, o Homem-Aranha. No entanto, seu filme foi um grande sucesso de bilheteria quando lançou em 1998, pagando rapidamente seu custo de produção.


Fonseca acrescenta que um dos principais motivos para o sucesso do filme foi a grande participação do Snipes na produção, já que ele foi responsável por inclusive ajudar no financiamento do filme. Outro fator fundamental foi o elenco. “Eles escalaram atores populares na época, como o alemão Udo Kier e o próprio Wesley Snipes. Além de ser um filme sobre vampiros, que são sempre sucessos, ele ainda tratava de questões raciais, levando um super-herói negro para o cinema. A combinação fez com que ele fosse um fenômeno instantâneo”.


Observando o sucesso do filme do caçador de vampiros, a Marvel decidiu que era hora de investir mais uma vez neste mercado, mas trazendo um elemento que não pôde ser explorado em Blade. Com o filme X-Men, lançado em 2000 e dirigido por Bryan Singer, foi possível introduzir super poderes sem nenhuma relação com o sobrenatural, como era o caso de Blade. E assim começou a grande produção de filmes dos mais diversos heróis.


Rodrigo Fonseca acredita que o grande boom deste tipo de filme foi depois do atentado terrorista ao World Trade Center, em 11 de Setembro de 2001. Ele diz que o ataque “assassina uma questão simbólica, as pessoas deixam de acreditar que o Nicolas Cage vai estar lá para te salvar do prédio caindo e só existem duas formas de fugir disso: o escapismo extremo (fantasias como Harry Potter e O Senhor dos Anéis) ou histórias de super-heróis”. E assim o Homem-Aranha de Sam Raimi chega aos cinemas em 2002, mantendo uma pegada mais leve nas adaptações dos quadrinhos. Quando Christopher Nolan lança Batman Begins em 2005, ele muda o tom, deixando o universo dos heróis com um aparência mais adulta.


Em 2008 a Marvel resolve assumir o controle de seus próprios personagens, abrindo o Marvel Studios, feito inteiramente para dirigir o Universo Cinematográfico da Marvel. Homem de Ferro, dirigido por Jon Favreau, foi o primeiro filme assinado pelo selo da nova companhia e o carro chefe para o modelo que empresa iria adotar, adaptando não só os personagens, como as histórias com um filme abrindo o terreno para o próximo, criando uma grande saga. “Ela [Marvel] retoma um fenômeno cinematográfico como o de Star Wars, essa ligação entre seus filmes, fazendo com que as pessoas esperassem por uma conexão”, disse Fonseca.


O orçamento nas produções de heróis aumentou muito com os últimos anos, permitindo que recursos como 3D e Imax possam ser vistos em quase todos os filmes do gênero. É possível imaginar que a grande popularidade foi o que aumentou a verba das obras, ou que o tamanho das produções possa ter aumentado a sua popularidade, mas para Fonseca isto é apenas parte do processo de desenvolvimento industrial.


“Não são super produções que aumentam a popularização, o investimento é feito em qualidade de acabamento dos filmes. O dinheiro não vai para o filme de super-herói por ele ser popular, é por puro processo de indústria”, disse ele.

DC (Warner Bros) x Marvel Studios

Quando questionado sobre a clássica guerra de fanboys, o colunista do Omelete foi categórico ao dizer que considera a briga muito produtiva para o mundo do cinema. Ele acredita que a rivalidade faz com que as duas empresas se empenhem cada vez mais em fazer produções melhores e com histórias mais interessantes, só favorecendo o cinema do gênero. “Igual foi no início dos anos 2000 quando a Dreamworks lançou Shrek (2001) e começou a brigar com a Pixar, que era a grande soberana das animações. O cinema ganha com essas disputas”, acrescentou.


A notícia boa para os entusiastas da cultura nerd é que ainda este ano cada um dos selos tem mais um filme para ser lançado. Esquadrão Suicida, filme da DC Comics (Warner Bros) e dirigido por David Ayer, lança no dia 04 de agosto e Doutor Estranho, de Scott Derrickson e produzido pela Marvel Studios, será lançado no dia 03 de novembro.


Uma novidade que pode aumentar ainda mais a briga entre as duas companhias é o fato que Capitão América: Guerra Civil, dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, recentemente assumiu a posição de 4ª maior bilheteria para filmes do gênero, somando cerca de US$1,1 bilhão ao redor do mundo, mandando Batman – O Cavalheiro das Trevas Ressurge (2012) para a quinta posição. O topo da lista é composto pelos filmes: Os Vingadores, feito em 2012 e dirigido por Joss Whedon (US$ 1,5 bilhão), Vingadores: Era de Ultron, filme de 2015 também dirigido por Joss Whedon (US$ 1,4 bilhão) e Homem de Ferro 3, lançado em 2013 e dirigido por Shane Black (US$ 1,2 bilhão). Todos filmes da Marvel Studios.


Profecias do Cinema

Para o diretor norte-americano Steven Spielberg, chegará um dia em que os filmes de super-heróis não mais agradarão ao público. No final do ano de 2015, o diretor deu uma entrevista para a Associated Press, uma das mais antigas agência de notícias dos EUA, em que disse que filmes de heróis irão ter o mesmo destino que os filmes de faroeste.


"Nós estávamos lá quando os filmes de faroeste morreram e chegará um tempo em que os filmes de super-heróis seguirão pelo mesmo caminho que dos filmes de faroeste. Não significa que não haverá uma época em que os faroestes e de super-heróis voltarão. É claro, agora os filmes de super-herói estão vivos e prósperos. Eu apenas estou dizendo que esses ciclos têm um tempo finito na cultura popular. Chegará um dia em que essas histórias mitológicas serão suplantadas por algum outro gênero que possivelmente algum jovem cineasta está pensando em descobrir para todos nós", disse o diretor.


Estando Spielberg certo ou não, o que não podemos negar é que o momento atual é a época de ouro dos filmes de super-heróis e, pelo menos até 2020, é garantido que eles fiquem em nossas vidas, já que tanto a Marvel quanto a DC já divulgaram seus calendários de lançamentos até este ano.

 
 
 

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