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Desafios impulsionados pela falta de saneamento básico diante da pandemia da Covid-19 no RJ

Foto do escritor: AECAEC

Por: Gabriel de Souza de Paula Machado, Gabriel Miranda Campos Vicente, Giovanna Ventura Ramos da Rosa, Lucas da Rocha Pereira e Natalie Veiga Távora Chaves.

No Rio de Janeiro, é notória a falta de saneamento básico em muitos bairros e municípios. Muitas famílias não possuem o mínimo acesso a água encanada e sistemas de esgoto. E a situação foi agravada com a pandemia da Covid-19. A crise sanitária exigiu o uso de alguns itens de proteção, que muitas vezes acabam sofrendo descarte inadequado. É o caso de máscaras, recipientes de álcool em gel e desinfetantes, além de muitos materiais hospitalares, que são jogados nas ruas e vão parar nos bueiros, dificultando o tratamento de esgoto.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), anunciou que uma das formas de conter a proliferação do novo coronavírus é o gerenciamento correto de resíduos sólidos. Além do fato de o uso de produtos descartáveis ter aumentado durante a pandemia, foi também constatado pela BBC News numa reportagem de novembro de 2020, que somente 2% de todo esse material (desde embalagens de delivery até máscaras e luvas) é reciclado no Brasil.

Em 5 de Janeiro de 2007, foi criada a Lei nº 11.445/07, que estabeleceu diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico. A lei determina os seguintes serviços públicos: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais urbanas. Mesmo com essas regulamentações, muitas regiões estão com escassez de saneamento. Famílias estão precisando construir suas próprias fossas sépticas para ter o básico de higiene.

O descarte indevido pode estar relacionado com a transmissão do vírus. O lixo em grande quantidade pode ou não estar infectado, e o contato com esse material tem potencial para provocar o contágio. É a população que não possui coleta adequada, água encanada ou rede de esgoto que acaba ficando mais vulnerável.

Alguns estudos confirmam que o coronavírus também pode estar presente em excrementos humanos, mesmo em casos curados e assintomáticos. Assim, a falta de saneamento de água potável também pode dificultar a prevenção à Covid-19 em áreas precárias, já que é necessário lavar as mãos com água e sabão várias vezes durante um dia. As Companhias Estaduais de Saneamento Básico (CESBs) são responsáveis pela prestação de serviços de água e esgoto em cerca de 70% dos municípios brasileiros.

Água, saneamento e higiene são indispensáveis para o combate do vírus.

A equipe desta reportagem fez uma pesquisa online com moradores de diversas áreas do Rio de Janeiro sobre o saneamento em suas localidades. Muitas pessoas possuem acesso a um bom saneamento básico, mas ainda há uma parcela que não possui o mesmo acesso, e muito dos entrevistados nunca ouviram nenhuma proposta para melhorar a higiene de sua região. Mesmo com a pandemia do Covid-19 não houve propostas ou ações de melhoria.

Ao serem perguntados sobre as muitas áreas sem saneamento básico correndo risco com uma grande contaminação, os respondentes se mostraram revoltados, insinuando que antes mesmo da pandemia essas áreas eram muito prejudicadas com a falta desses serviços. “Como garantir a limpeza dos alimentos e das mãos e roupas, quando não há acesso ao saneamento?” É o que questiona Ana Beatriz, de 23 anos.

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro – CEDAE – foi fundada com o objetivo de prestar serviços de saneamento no Estado, mas infelizmente nunca foi um ponto de referência para o saneamento carioca, passando por diversas crises e descasos, principalmente com áreas periféricas sendo deixadas de lado, mesmo que sua razão social seja companhia estadual de água e esgotos para todos. E a responsabilidade é de todos. Cada um pode fazer sua parte, seja catando o lixo do chão, evitando que caia em bueiros, e fazendo denúncias para a própria CEDAE que certas áreas estão com problemas de saneamento e com esgotos vazando, assim condições de vida melhores e mais chances de se prevenir a ocorrência de Covid-19.


 

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